sexta-feira, 15 de maio de 2015

Hemograma - O que você precisa saber sobre...

O hemograma é o exame laboratorial mais requerido pelos médicos na atualidade. É pedido de maneira tão rotineira que o aluno de medicina acaba por "seguir a onda" e por requerer o exame sem que, muitas vezes, saiba o porquê e qual a finalidade de o pedir. Pensando nisso, resolvi escrever este texto para que a interpretação do hemograma possa ser melhor entendida por nós, estudantes.

Tecido Sanguíneo
Para entender melhor o hemograma é preciso primeiro saber quais são os componentes do tecido sanguíneo.
O sangue é um tecido fluido, viscoso e levemente alcalino (pH = 7,4), cuja cor varia entre vermelho escuro e vermelho brilhante e corresponde a 7% do peso corporal. É classificado como tecido conjuntivo e é composto por elementos figurados, glóbulos vermelhos (eritrócitos e hemácias), glóbulos brancos (leucócitos) e plaquetas; o componente fluido corresponde à matriz extracelular e é chamado de plasma.
Realiza o transporte de nutrientes, gases (O2 e CO2), regula a temperatura corporal, mantem o equilíbrio ácido-básico, equilíbrio osmótico dos fluidos corporais e é a via de migração dos glóbulos brancos para qualquer tecido do organismo.
Uso clínico do Hemograma!
O hemograma começou a ser usado na clínica médica em 1925 pelo médico e farmacêutico alemão V. Schilling. Este exame contém informações que, juntamente com a CLÍNICA DO PACIENTE, permite ao médico chegar à conclusões diagnósticas e prognósticas das patologias.

MAS PORQUÊ SEU USO É TÃO IMPORTANTE?
O hemograma nos permite averiguar a contagem de células no sangue periférico (hemácias - série vermelha; leucócitos - série branca; e plaquetas - série plaquetária), ainda permite realizar a contagem dos tipos leucocitários, dos valores da hemoglobina, do hematócrito e ainda o cálculo dos índices hematimétricos.

ERITROGRAMA
Avalia especificamente a série vermelha pelos parâmetros de: dosagem de hemoglobina e hematócrito, número de glóbulos vermelhos e índices hematimétricos, o que permite o acompanhamentos de anemias e poliglobulias.

Índice Hematimétrico e seus significados:
VCM -> é o volume corpuscular médio, cujo cálculo é: Ht (hematócrito)/ GV (Glóbulos vermelhos). Ele indica o tamanho da hemácia.
HCM -> Hemoglobina corpuscular média, o cálculo é: Hb (hemoglobina)/ GV. Ele é dado em picograma e fornace dados sobre a coloração das hemácias.
CHCM -> concentração da hemoglobina corpuscular média, cálculo: Hb/Ht ou HCM/VCM, e também indica a coloração das hemácias, é dado em porcentagem.
RDW -> ampla distribuição celular e indica a presença de anisocitose (diferença de tamanho entre células do sangue), é dado em porcentagem.
Ht -> Hematócrito e indica o volume de hemácias em relação ao volume de sangue total, também é dado em porcentagem. É importante destacar que o mesmo número de hemácias podem conferir valores de hematócritos diferentes conforme o grau de hidratação (ou desidratação) do paciente. Assim podemos ter valores elevados do Ht em um indivíduo desidratado que tem redução do volume plasmático; e valores menores de Ht em indivíduos hipervolêmicos.

O VCM e a Hb são parâmetros analisados para averiguar presença de anemia. O VCM mede o tamanho da hemácia; valores de VCM abaixo de 80 classificam as hemácias como microcíticas, valores acima de 95 as classificam como macrocíticas e valores entre 80 e 95 as classificam como normocíticas. (Alterações no tamanho da hemácia é definida como anisocitose).

O RDW (amplitude de distribuição do tamanho das hemácias) foi introduzido como índice de anisocitose e indica o quanto da população de hemácias se desvia do tamanho médio.

HCM e CHCM reflete a concentração de Hb presente nas hemácias (cor das hemácias). Valores de CHCM abaixo de 30% refletem hipocromia, logo a concentração de Hb está abaixo do normal.

Através destes parâmetros podemos classificar as Anemias!!


Anemias!
Na classificação hematimétrica é levado em consideração os índices de cor e tamanho.


A anemia pode ser definida laboratorialmente quando o eritrograma apresenta concentração da dosagem de Hb menor que o valor padrão para a idade e gênero.

Em caso de anemia nem sempre o CHCM é diminuído, sua diminuição é mais relacionada a  casos graves de hipocromia (como na talassemia beta maior e na anemia ferropriva grave) e sua elevação acima do índice padrão está, quase sempre, relacionado ao número elevado de eritrócitos esferócitos (como na esferocitose hereditária). RDW aumentado (além do padrão) indica anisocitose!

A Avaliação quantitativa dos eritrócitos deve ser feita seguindo a sequência: tamanho (anisocitose), forma (poiquilocitose), coloração (hipo ou hipercromia) e inclusões.

A tabela abaixo apresenta algumas alterações presentes nas anemias com os termos específicos e as principais ocorrências.



A análise do sangue pode ser realizada por uma máquina, no entanto não há como substituir o exame de esfregaço sanguíneo que permite avaliar outros parâmetros que são muito importantes para classificação das anemias.


ATENÇÃO:
Quando existe suspeita de anemia hemolítica vai aparecer no hemograma sinais de estímulo acentuado à eritropoiese, como a presença de:

  • eritroblastos circulantes
  • inclusões no citoplasma das hemácias:
           > corpúsculo de Howell-Jolly (restos de cromatina celular)
           > pontilhado basófilo (restos ribossômicos, instabilidade do RNA)
           > anel de Cabot (restos de membrana nuclear)
           > corpúsculos de Pappenheimer (grânulos contendo ferro).









Curiosidades:


Referências:
Gartner, L.P. & Hiatt, J.L. Tratado de Histologia em Cores. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.
Naoum & Naoum. Interpretação Laboratorial do Hemograma.

Links para saber mais:
Ciência News
Acervo de Lâminas



Nenhum comentário:

Postar um comentário